Reposição hormonal e câncer de mama: o que o médico avalia antes

Dr. Jorge Madeiro no consultório, analisando o gráfico da transição da menopausa antes de indicar reposição hormonal

Reposição hormonal e câncer de mama: o que o médico avalia antes

“Hormônio dá câncer de mama?” É o medo que mais chega ao meu consultório quando o assunto é reposição. A resposta curta: o risco existe, é pequeno, depende do tipo de hormônio e, principalmente, de quem é a mulher. Por isso a avaliação vem antes de qualquer receita.

O que a diretriz brasileira diz

Em 2024, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Febrasgo (ginecologia) e a Associação Brasileira de Climatério publicaram juntas a Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa. Ela recomenda a reposição hormonal para a mulher que tem sintomas do climatério e não tem contraindicação, com a dose, o tipo e a via escolhidos para cada uma.

Qual é o risco, de verdade

Segundo a diretriz, o risco de câncer de mama ligado à reposição é baixo: menos de um caso a mais para cada mil mulheres, por ano de uso.

E esse risco não é igual para todas. Ele muda com o tipo de hormônio, a dose, a forma de usar e a história de cada mulher. Por isso a avaliação vem antes da receita.

A reposição hormonal não é proibida e não é para todas. Ela é indicada para a mulher com sintomas do climatério, sem contraindicação, depois de uma avaliação que começa pela mama.

Quem não pode fazer reposição

A diretriz lista como contraindicação:

  • Ter tido câncer de mama, ou lesão que é precursora dele.
  • Ter tido câncer de endométrio.
  • Ter doença das artérias do coração (como o infarto) ou ter tido AVC.

E quem tem caso de câncer de mama na família?

Essa resposta é avaliada caso a caso. Ter uma mãe, uma irmã ou uma tia com câncer de mama não fecha a porta nem abre sozinha: é uma informação que entra na conta.

Quem teve, com que grau de parentesco, com que idade, e o que mais aparece na história da própria paciente: tudo isso pesa na decisão. Por isso é a primeira coisa que eu pergunto.

O que eu avalio antes de começar

  • A sua história e a da sua família. É por ela que eu começo, antes de qualquer exame.
  • Mamografia recente. A Associação Brasileira de Climatério considera essencial que ela tenha sido feita nos últimos 12 meses.
  • Ultrassom de mama quando a mama é densa.
  • Colesterol e glicemia. Eles ajudam a escolher a melhor forma de aplicar o hormônio, por exemplo gel ou adesivo na pele em vez de comprimido.
  • Peso, pressão e cigarro. O resto da saúde entra na conta.
  • O seu objetivo. É ele que define o plano, não a vontade de repor.

O momento também importa

A diretriz fala em uma janela de oportunidade: o melhor momento para começar é nos primeiros 10 anos depois da menopausa, ou antes dos 60 anos. Começar muito depois disso pode aumentar o risco para o coração, os vasos e a circulação.

Por isso o melhor momento de procurar o médico é no começo dos sintomas, e não depois de anos esperando passar.

E depois de começar

Quem faz reposição continua com a mamografia de rotina, como toda mulher nessa fase. E continua sendo acompanhada: a dose, o tipo e a necessidade de manter o tratamento são revistos com o tempo.

Reposição não é passar e ir embora. É acompanhar.

Perguntas frequentes

Reposição hormonal causa câncer de mama?

O risco existe, mas é baixo. A diretriz brasileira de 2024 estima menos de um caso a mais para cada mil mulheres por ano de uso. O risco muda conforme o tipo de hormônio e o histórico de cada mulher, por isso a avaliação é individual.

Quem teve câncer de mama na família pode fazer reposição hormonal?

É avaliado caso a caso. O grau de parentesco, a idade em que a familiar teve o câncer e a história da própria mulher entram na decisão, que é sempre individual.

Preciso de mamografia antes de começar a reposição?

Sim. A Associação Brasileira de Climatério considera essencial uma mamografia feita nos últimos 12 meses antes do início. Quando a mama é densa, o ultrassom complementa.

Qual o melhor momento para começar a reposição hormonal?

Nos primeiros 10 anos depois da menopausa ou antes dos 60 anos, segundo a diretriz. Começar muito depois disso pode aumentar o risco cardiovascular.

Quem não pode fazer reposição hormonal?

Mulheres que tiveram câncer de mama, lesão precursora de câncer de mama ou câncer de endométrio, e quem tem doença das artérias do coração ou já teve AVC, entre outras situações avaliadas na consulta.

Quer saber se a reposição faz sentido para você?

Este texto explica o que a diretriz diz. A consulta olha a sua história, os seus exames e o seu objetivo.

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