Câmara hiperbárica: para que serve e como funciona

Dr. Jorge Madeiro, médico, na porta da câmara hiperbárica da BMH, em Brasília

Câmara hiperbárica: para que serve e como funciona

Quase todo mundo já ouviu falar da câmara hiperbárica. Quase ninguém sabe explicar para que ela serve. Então esse texto começa do começo, do jeito que eu explico no consultório.

O que é oxigenoterapia hiperbárica

Oxigenoterapia hiperbárica é um tratamento em que a pessoa respira oxigênio dentro de uma câmara pressurizada. A pressão faz o oxigênio se dissolver no sangue em quantidade muito maior do que acontece quando a gente respira normalmente.

E aqui está o ponto que muda tudo: com mais oxigênio dissolvido no sangue, ele passa a chegar onde o sangue está chegando pouco.

Por que isso importa: tecido sem circulação não se recupera

Todo tecido do corpo depende de circulação para se recuperar. Quando o sangue chega pouco, falta oxigênio. E sem oxigênio, a cicatrização trava.

Na medicina a gente chama essa falta de circulação de isquemia. Se ela se prolonga, o tecido pode evoluir para necrose, que é quando aquela área deixa de sobreviver.

A câmara entra justamente nesse ponto. Ela leva oxigênio a um tecido que está em sofrimento por falta de circulação, e ajuda esse tecido a se recuperar.

Para que serve a câmara hiperbárica

As indicações seguem as publicações da Undersea and Hyperbaric Medical Society (UHMS), referência internacional na área. Os quadros que eu mais atendo são estes:

  1. Pós-operatório de cirurgia plástica com tecido em sofrimento. A área operada não está recebendo circulação suficiente.
  2. Pontos que abrem. A cicatriz não fecha como deveria.
  3. Infecção. O oxigênio dificulta a vida de certos microrganismos e ajuda a defesa do corpo.
  4. Feridas de difícil cicatrização. Aquela ferida de meses de curativo que não avança.
  5. Medicina do mergulho. Avaliação de quem mergulha e atendimento de acidentes relacionados ao mergulho.

Pós-operatório de cirurgia plástica e feridas de difícil cicatrização são a maior parte do que eu vejo no dia a dia.

Existe uma janela de tratamento

Se tem uma coisa que eu explico em quase toda consulta, é essa.

Tecido em sofrimento avaliado cedo tem mais a ganhar. Quanto mais tempo a área passa sem circulação suficiente, menos o tratamento consegue oferecer.

No pós-operatório de cirurgia plástica, estes são os sinais que merecem avaliação:

  • Pele da região mudando de cor: arroxeada, escurecida ou muito pálida.
  • Pele fria na área operada.
  • Bolhas.
  • Dor fora do esperado para aquele pós-operatório.
  • Ponto que começa a abrir.
  • Ferida que não evolui.

É por isso que “esperar para ver se melhora” costuma custar um tempo que não volta. Isso vale principalmente para a isquemia depois de cirurgia: a avaliação faz mais sentido no começo do problema do que depois de muito tempo tentando resolver só com curativo.

O que acontece dentro da sessão

Muita gente imagina que é entrar na câmara e esperar o relógio. Não é assim.

  • O médico define a pressão e o tempo de cada sessão.
  • Avalia como a ferida evoluiu desde a última vez.
  • Acompanha a pessoa durante o tratamento.
  • Interrompe se algo mudar.

É esse acompanhamento que permite ajustar o tratamento à resposta de cada pessoa. Duas feridas parecidas raramente evoluem do mesmo jeito.

Como é a sessão na prática

Existem dois tipos de câmara, e a experiência muda um pouco em cada uma:

  • Câmara multiplace. Recebe mais de uma pessoa por vez. Você fica sentado e respira oxigênio por máscara.
  • Câmara monoplace. Recebe uma pessoa por vez. Você fica deitado e sem máscara.

Em nenhuma das duas se usa capacete, que é uma imagem que muita gente tem na cabeça.

Na BMH, a unidade da Asa Sul tem os dois tipos de câmara. A unidade de Taguatinga tem a câmara monoplace.

A sessão dói?

É a pergunta que eu mais escuto antes da primeira sessão. Não dói. O que se sente é uma pressão no ouvido, parecida com a descida de um avião, e a equipe orienta como compensar.

Quantas sessões são necessárias

São no mínimo 10 sessões. A quantidade final é avaliada caso a caso, conforme a indicação e a forma como o tecido responde ao tratamento.

É por isso que eu não fecho um número na primeira consulta. A resposta do corpo é que diz quando parar.

Hiperbárica não é tratamento de moda

Eu sou muito pé no chão com isso. A câmara tem indicação clara, e fora dessas indicações ela não faz milagre. Quem decide se ela entra é a avaliação, não a vontade.

Também não é substituto do cirurgião, do curativo bem feito ou do controle das doenças de base. Ela soma a esse cuidado, no momento certo.

Sou médico, com formação em medicina hiperbárica pela Santa Casa e pelo UHMS PATH, nos Estados Unidos, e integro a diretoria da Sociedade Brasileira de Medicina Marítima e Hiperbárica (2026/27). Sou diretor médico da BMH, em Brasília.

Perguntas frequentes

Para que serve a câmara hiperbárica?

Para levar oxigênio a tecidos que estão recebendo pouca circulação. Os casos mais comuns são o pós-operatório de cirurgia plástica com tecido em sofrimento, pontos que abrem, infecção e feridas de difícil cicatrização.

Como funciona a oxigenoterapia hiperbárica?

A pessoa respira oxigênio dentro de uma câmara pressurizada. A pressão faz o oxigênio se dissolver no sangue em quantidade muito maior e chegar onde o sangue está chegando pouco.

A câmara hiperbárica ajuda no pós-operatório de cirurgia plástica?

Quando a área operada está com tecido em sofrimento por falta de circulação, essa é uma das indicações mais comuns. A avaliação define se é o caso.

Quantas sessões de câmara hiperbárica são necessárias?

No mínimo 10. A quantidade final é avaliada caso a caso, conforme a indicação e a resposta do tecido.

Na câmara hiperbárica a pessoa fica sentada ou deitada?

Depende da câmara. Na multiplace, a pessoa fica sentada e respira oxigênio por máscara. Na monoplace, fica deitada e sem máscara. Não se usa capacete.

A sessão de câmara hiperbárica dói?

Não dói. O que se sente é uma pressão no ouvido, parecida com a descida de um avião, e a equipe orienta como compensar.

Onde fazer câmara hiperbárica em Brasília?

Na BMH, que tem unidade na Asa Sul, com câmaras multiplace e monoplace, e em Taguatinga, com câmara monoplace.

Quando procurar avaliação?

No começo do problema. Existe uma janela de tratamento, e tecido em sofrimento avaliado cedo tem mais a ganhar.

A sessão é acompanhada por médico?

Na BMH, sim. Em cada sessão o médico define a pressão e o tempo, avalia a evolução desde a última vez, acompanha durante o tratamento e interrompe se algo mudar.

A câmara é indicada para o seu caso?

Este texto explica o mecanismo. A avaliação olha a sua ferida, a sua cirurgia e a sua história. Atendo na BMH, na Asa Sul e em Taguatinga.

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