
Reposição hormonal e câncer de mama: o que o médico avalia antes
“Hormônio dá câncer de mama?” É o medo que mais chega ao meu consultório quando o assunto é reposição. A resposta curta: o risco existe, é pequeno, depende do tipo de hormônio e, principalmente, de quem é a mulher. Por isso a avaliação vem antes de qualquer receita.
O que a diretriz brasileira diz
Em 2024, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Febrasgo (ginecologia) e a Associação Brasileira de Climatério publicaram juntas a Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa. Ela recomenda a reposição hormonal para a mulher que tem sintomas do climatério e não tem contraindicação, com a dose, o tipo e a via escolhidos para cada uma.
Qual é o risco, de verdade
Segundo a diretriz, o risco de câncer de mama ligado à reposição é baixo: menos de um caso a mais para cada mil mulheres, por ano de uso.
E esse risco não é igual para todas. Ele muda com o tipo de hormônio, a dose, a forma de usar e a história de cada mulher. Por isso a avaliação vem antes da receita.
A reposição hormonal não é proibida e não é para todas. Ela é indicada para a mulher com sintomas do climatério, sem contraindicação, depois de uma avaliação que começa pela mama.
Quem não pode fazer reposição
A diretriz lista como contraindicação:
- Ter tido câncer de mama, ou lesão que é precursora dele.
- Ter tido câncer de endométrio.
- Ter doença das artérias do coração (como o infarto) ou ter tido AVC.
E quem tem caso de câncer de mama na família?
Essa resposta é avaliada caso a caso. Ter uma mãe, uma irmã ou uma tia com câncer de mama não fecha a porta nem abre sozinha: é uma informação que entra na conta.
Quem teve, com que grau de parentesco, com que idade, e o que mais aparece na história da própria paciente: tudo isso pesa na decisão. Por isso é a primeira coisa que eu pergunto.
O que eu avalio antes de começar
- A sua história e a da sua família. É por ela que eu começo, antes de qualquer exame.
- Mamografia recente. A Associação Brasileira de Climatério considera essencial que ela tenha sido feita nos últimos 12 meses.
- Ultrassom de mama quando a mama é densa.
- Colesterol e glicemia. Eles ajudam a escolher a melhor forma de aplicar o hormônio, por exemplo gel ou adesivo na pele em vez de comprimido.
- Peso, pressão e cigarro. O resto da saúde entra na conta.
- O seu objetivo. É ele que define o plano, não a vontade de repor.
O momento também importa
A diretriz fala em uma janela de oportunidade: o melhor momento para começar é nos primeiros 10 anos depois da menopausa, ou antes dos 60 anos. Começar muito depois disso pode aumentar o risco para o coração, os vasos e a circulação.
Por isso o melhor momento de procurar o médico é no começo dos sintomas, e não depois de anos esperando passar.
E depois de começar
Quem faz reposição continua com a mamografia de rotina, como toda mulher nessa fase. E continua sendo acompanhada: a dose, o tipo e a necessidade de manter o tratamento são revistos com o tempo.
Reposição não é passar e ir embora. É acompanhar.
Perguntas frequentes
Reposição hormonal causa câncer de mama?
O risco existe, mas é baixo. A diretriz brasileira de 2024 estima menos de um caso a mais para cada mil mulheres por ano de uso. O risco muda conforme o tipo de hormônio e o histórico de cada mulher, por isso a avaliação é individual.
Quem teve câncer de mama na família pode fazer reposição hormonal?
É avaliado caso a caso. O grau de parentesco, a idade em que a familiar teve o câncer e a história da própria mulher entram na decisão, que é sempre individual.
Preciso de mamografia antes de começar a reposição?
Sim. A Associação Brasileira de Climatério considera essencial uma mamografia feita nos últimos 12 meses antes do início. Quando a mama é densa, o ultrassom complementa.
Qual o melhor momento para começar a reposição hormonal?
Nos primeiros 10 anos depois da menopausa ou antes dos 60 anos, segundo a diretriz. Começar muito depois disso pode aumentar o risco cardiovascular.
Quem não pode fazer reposição hormonal?
Mulheres que tiveram câncer de mama, lesão precursora de câncer de mama ou câncer de endométrio, e quem tem doença das artérias do coração ou já teve AVC, entre outras situações avaliadas na consulta.
Quer saber se a reposição faz sentido para você?
Este texto explica o que a diretriz diz. A consulta olha a sua história, os seus exames e o seu objetivo.