Cicatrização depois da cirurgia plástica: quando a câmara hiperbárica entra

Interior da câmara hiperbárica multiplace, com as poltronas onde o paciente fica sentado durante a sessão

Cicatrização depois da cirurgia plástica: quando a câmara hiperbárica entra

A cirurgia correu bem, e mesmo assim a cicatrização não está indo como deveria. Esse texto é para quem está nesse ponto, ou para quem quer saber o que observar antes de chegar nele.

A cicatrização depende da circulação

Toda cirurgia mexe na circulação da região operada. É inevitável: para operar, o tecido é manipulado, e os vasos daquela área são afetados.

E é a circulação que decide como o tecido se recupera. O sangue leva o oxigênio, e sem oxigênio a cicatrização trava.

Quando a circulação não dá conta

Na maioria das vezes, o corpo se reorganiza e a cicatrização segue o caminho esperado. Quando a circulação da área operada não dá conta, o tecido entra em sofrimento. Na medicina a gente chama isso de isquemia.

Se a isquemia se prolonga, o tecido pode evoluir para necrose, que é quando aquela área deixa de sobreviver. É daí que vêm os quadros que eu mais vejo depois de uma cirurgia plástica:

  • Tecido em sofrimento por falta de circulação.
  • Pontos que abrem e cicatriz que não fecha.
  • Infecção na região operada.

Sinais que merecem avaliação

Estes são os sinais que eu peço para as pessoas observarem na área operada:

  1. Pele mudando de cor: arroxeada, escurecida ou muito pálida.
  2. Pele fria na região.
  3. Bolhas.
  4. Dor fora do esperado para aquele pós-operatório.
  5. Ponto que começa a abrir.
  6. Ferida que não evolui.

Notou algum desses sinais? Converse com o seu cirurgião e busque avaliação. O cirurgião segue sendo quem conduz o seu pós-operatório. A hiperbárica, quando indicada, soma a esse cuidado.

Onde a câmara hiperbárica entra

Na oxigenoterapia hiperbárica, a pessoa respira oxigênio dentro de uma câmara pressurizada. A pressão faz o oxigênio se dissolver no sangue em quantidade muito maior e chegar onde o sangue está chegando pouco. Eu explico o mecanismo em detalhe neste texto sobre para que serve a câmara hiperbárica.

No pós-operatório, isso significa levar oxigênio justamente ao tecido que está em sofrimento por falta de circulação, e ajudar esse tecido a se recuperar. No caso da infecção, o oxigênio também dificulta a vida de certos microrganismos e ajuda a defesa do corpo.

Ela não substitui o cirurgião, o curativo bem feito nem o antibiótico quando ele é necessário. Ela entra junto, no momento certo.

Por que o tempo importa

Existe uma janela de tratamento. Tecido em sofrimento avaliado cedo tem mais a ganhar. Quanto mais tempo a área passa sem circulação suficiente, menos o tratamento consegue oferecer.

É o argumento que eu mais uso em consulta, principalmente em isquemia. “Esperar para ver se melhora” parece prudente, mas costuma custar um tempo que não volta.

Como é o tratamento

São no mínimo 10 sessões, e a quantidade final é avaliada caso a caso, conforme a resposta do tecido.

A sessão pode ser feita sentado, respirando oxigênio por máscara, na câmara multiplace, ou deitado e sem máscara, na câmara monoplace. Na BMH, a unidade da Asa Sul tem os dois tipos, e a de Taguatinga tem a monoplace.

E a dúvida que quase todo mundo traz: não dói. O que se sente é uma pressão no ouvido, parecida com a descida de um avião, e a equipe orienta como compensar.

Em cada sessão:

  • O médico define a pressão e o tempo.
  • Avalia como a área operada evoluiu desde a última vez.
  • Acompanha você durante o tratamento.
  • Interrompe se algo mudar.

Sou médico, com formação em medicina hiperbárica pela Santa Casa e pelo UHMS PATH, nos Estados Unidos, e integro a diretoria da Sociedade Brasileira de Medicina Marítima e Hiperbárica (2026/27). Sou diretor médico da BMH, em Brasília.

Perguntas frequentes

A câmara hiperbárica ajuda na cicatrização depois da cirurgia plástica?

Quando a área operada está com tecido em sofrimento por falta de circulação, com pontos abrindo ou com infecção, essa é uma das indicações mais comuns da oxigenoterapia hiperbárica. A avaliação define se é o caso.

Quais sinais na cicatrização merecem avaliação?

Pele da região arroxeada, escurecida ou muito pálida, pele fria, bolhas, dor fora do esperado para aquele pós-operatório, ponto que começa a abrir e ferida que não evolui.

Quantas sessões são necessárias?

No mínimo 10. A quantidade final é avaliada caso a caso, conforme a resposta do tecido.

O tratamento na câmara hiperbárica dói?

Não dói. O que se sente é uma pressão no ouvido, parecida com a descida de um avião, e a equipe orienta como compensar.

Quando começar o tratamento?

A avaliação faz mais sentido no começo do problema. Existe uma janela de tratamento, e tecido em sofrimento avaliado cedo tem mais a ganhar.

A hiperbárica substitui o acompanhamento do cirurgião?

Não. O cirurgião segue conduzindo o pós-operatório. A oxigenoterapia hiperbárica, quando indicada, soma a esse cuidado.

A sua cicatrização não está evoluindo?

Este texto explica o mecanismo. A avaliação olha a área operada, a sua cirurgia e a sua história. Atendo na BMH, na Asa Sul e em Taguatinga.

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